O Bicho

Era uma vez um bicho.
Nasceu numa família de monstros, daqueles muito feios, maus e que gostavam de assustar meninos…
Era um bicho muito bonito, um olho era azul e o outro era verde. A sua boca era vermelha e sorridente. Não tinha nariz, porque os monstros têm sempre alguma coisa diferente de nós, os humanos. Alguns nascem com três olhos, outros nascem sem cabeça, ainda há os que não têm bocas. Mas o Bicho, só não tinha nariz…
No alto da sua cabeça tinha o que toda a gente pensava serem lindos cabelos verde-escuros, mas que na verdade eram antenas poderosíssimas que detectavam monstros maus a grande distância .
Muito cedo os seus pais perceberam que o bicho era diferente de toda a sua família. Para começar, nunca gostou de assustar ninguém, e ainda por cima não permitia aos seus irmãos que pregassem qualquer susto a meninos! Seu Pai e sua Mãe viviam muito preocupados com ele, não sabiam como o haviam de educar. Gostava muito de chocolate e de bolachas. O chocolate tinha que ser aos quadradinhos, que era como ele mais gostava: comia um a um até acabarem todos os quadrados de chocolate!Até perdia a cabeça com o chocolate e devorava-o de tal maneira que um dia o seu corpo ficou todo aos quadrados! O chocolate para um verdadeiro monstro é muito nojento, mas para o Bicho, era um prazer! Seus pais bem que tentavam que ele comesse os bolos de cocó, sopas de ranho de vaca, arroz com salsichas de patas de aranhas, ou yogurtes de baba de lagarto, mas não conseguiam que ele gostasse dessas verdadeiras iguarias para qualquer monstro que se preze. Os seus irmãos e irmãs acabavam por comer-lhe toda a sua comida. O Bicho só queria era o seu chocolate e as suas bolachas que achava deliciosas! Se ele se recusasse a fazer as suas tarefas diárias, entre muitas, a de ter que assustar pelo menos três meninos, punham-no de castigo sentado num banco, virado para a parede, sem comer, falar ou mexer-se. Ficava horas assim e não aprendia a lição: no dia seguinte voltava a recusar meter sustos terríveis a crianças que só queriam dormir descansadas nos seus quartos e nas suas confortáveis caminhas.
Os monstros horríveis enfiavam-se dentro dos armários, atrás dos cortinados ou até mesmo debaixo das camas. Ficavam à espera da melhor oportunidade para aparecerem, com uns modos terríficos para assustarem os meninos. Por vezes até se faziam em sombras, nas paredes, a fingirem serem monstros ainda mais feios e mais maus, como tubarões com bocas gigantescas cheínhas de dentes afiados ou então lobos assustadores com olhos amarelos que pareciam não desviarem o olhar dos meninos…
Quando faziam essas maldades todas, riam-se, até ficarem com soluços, que é o máximo que nos podemos rir, como qualquer menino sabe, de verdadeira felicidade: que maus que eram os monstrinhos irmãos do Bicho!
O Bicho foi crescendo, e quanto mais o tempo passava, mais ele ficava amigo de todos os meninos, ao contrário dos seus irmãos que os detestavam.
Quando chegou a altura de entrar para a Faculdade, escolheu tirar o “Curso Superior de Protecção e Segurança de Meninos e Meninas de todos os Monstros do Mundo”
Depois de muito estudar, saiu da Faculdade todo orgulhoso, pois já podia procurar um trabalho e ter a sua própria vida. Despediu-se da sua família e meteu-se ao caminho em busca de algum menino ou menina que precisasse da sua protecção. Procurou por todo o lado, perguntou às pessoas que ía encontrando, se conheciam alguém que dele precisasse, chegou mesmo a publicar um anúncio num Jornal que dizia:

“MONSTRO MUITO BOM PROCURA MENINO OU MENINA PARA PROTEGER DOS MONSTROS HORRÍVEIS – DÁ-SE REFERÊNCIAS – O TRABALHO É PARA SER PAGO EM CHOCOLATE E BOLACHAS.”

E conseguiu encontrar um menino para proteger! Era muito pequenino, um bebé muito bonito, muito parecido com o Pai Eduardo e que fazia uns barulhinhos muito queridos, excepto quando estava cheio de fome e berrava até que lhe dessem de comer.. Chamava-se Duarte e nasceu numa família que o aguardou impacientemente durante todo o tempo que ele esteve dentro da barriga da sua Mãe, que se chamava Chichoquinhas. Foi o seu primeiro filho, e o primeiro neto dos Avós que estão muito orgulhosos de terem um neto assim tão bom, tão inteligente, tão forte e que ainda por cima é muito bonito! Quando ele nasceu, a família ficou feliz e comovida. Todos queriam conhecê-lo, pegar nele, dar-lhe beijinhos e ver a cara dele que era tão bonito! Mal o Bicho soube da história do Duarte, percebeu de imediato que era o SEU menino, o SEU amigo para sempre, era o Duarte que ele iria proteger de todos os monstros maus, pensou logo o Bicho…
Foi apanhar o comboio para Lisboa, pois o Duarte vivia para aqueles lados e foi viver para casa dele. O Bicho tem uns braços e pernas especiais azuis com bolinhas brancas para serem tocados pelos meninos, gosta até que lhe mordisquem as suas orelhas, adora que o abracem bem apertadinho e tem a certeza que o Duarte o vai tratar muito bem e fazer isso tudo que ele adora!
Em troca, não vai haver nenhum monstro que consiga assustar o Duarte, porque o Bicho não vai permitir que isso aconteça, nunca!”

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